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sábado, 25 de maio de 2013

Os quatorze passaram




Hoje eu estava nervosa, estava nervosa por ainda não saber a nota que tirei numa prova super ferrada que fiz na quinta-feira, eu estava tão nervosa, fico muito agitada, as vezes meu estomago até começa a doer quando fico assim. A cabeça começa a doer, fico enjoada, parece que quando fico nervosa assim todo tipo de doença resolve me dar olá. Então por algum motivo desconhecido me lembrei de uma música, uma música que não escutava há muito tempo, então a coloquei pra tocar e aumentei o som no último. As letras foram passando por minha cabeça e eu me senti novamente com quatorze anos de idade, que provavelmente devia ser a idade que tinha quando a escutava.
De volta aos quatorze, quando tudo parece ser o que não é ou muito maior do que é. As coisas são tão diferentes nessa idade ou talvez nós que mudamos demais e já não podemos ver as coisas como eram, talvez sejam apenas coisa de gente que ainda tenha seus quatorze anos.
Festas bizarras que pareciam ser tão importantes, alisar o cabelo, pois todo mundo estava alisando, tentar ficar acordada a noite toda em festas do pijama e nunca conseguir, sair pra tomar sorvete e dividir com suas amigas, beber do mesmo copo, usar o mesmo batom que trezentas meninas já usaram antes de você, pintar as unhas, uma de cada cor, pensar naquele garoto que senta perto de você ou na sala ao lado o ano todo pra depois descobrir que ele é um bundão e esperar que ele seja eternamente infeliz com aquela garota que nem ao menos é bonita. São tantas coisas, tantas lembranças que podemos resgatar dos quatorze anos.
Onde foram parar meus antigos diários? Qual é, toda menina teve ao menos um diário na vida.
Um dia a gente cresce, a gente sempre tem que crescer, então podemos olhar as coisas com olhos diferentes. Agora você entende o sufoco de seus pais no final do mês quando estavam cheios de contas pra pagar, pois agora essas contas são suas. Ficar acordado até tarde na frente do computador é muito pior agora, pois seu problema não é mais uma simples aula de física pela manhã.
Olhando pra trás a gente consegue ver quantas tempestades em copo d’água foram feitas, mas naquela época pareciam tão importantes. Você promete que Será amiga de seus amigos para sempre, que nunca irão se separar, que só irá trabalhar com aquilo que gosta de fazer e planeja como será seu primeiro apartamento, mas nem sempre é isso que acontece.
Mudei de casa, de cidade, os amigos, aqueles das promessas, foram todos embora, eu fui embora também, o apartamento aconteceu, mas não da forma que tinha imaginado naquela época, pois um sofá branco com almofadas rosa não me pareceu uma boa, branco suja demais. Por falar em rosa, minha cor favorita deixou de ser essa há muito tempo, antes tudo pra minha tinha que ser rosa e hoje consigo contar nos dedos quantas peças de roupa tenho dessa cor no armário.
Pensei muito sobre essa época e de como tudo parecia maior, tudo era sonhos e fantasias salpicadas com risadas, chocolate e conversas de MSN sobre por quem sua melhor amiga está apaixonada.
Muita coisa boa foi perdida daquele tempo, muita coisa em mim mudou e não estou falando sobre cores favoritas ou amigos e promessas, estou falando sobre algo dentro de mim, acho que deve acontecer com todo mundo, crescer é assim.
Mas muita coisa boa aconteceu também, por exemplo, amar, que antes era tão doloroso, difícil, com dramas e lágrimas desnecessárias, agora se tornou tão fácil, amar hoje é fácil e simples, pois ele faz as coisas serem assim. O amor é fácil, pode acreditar em mim, você descobre isso quando a pessoa certa aparece. E esse negócio de que pessoa certa não existe é besteira total, existe sim, eu encontrei a minha e sei que você que ainda não encontrou irá encontrar. O problema não é que a pessoa certa não exista, ela existe, mas nem sempre ela será a certa para sempre, algumas vezes isso muda no meio do caminho, o cara certo passa a ser o cara errado e isso não significa que ele não tenha sido certo antes, ele foi, mas agora não é mais. Beleza, bola pra frente, não existe uma só pessoa certa pra você.
Muitas coisas mudam depois que você não tem mais quatorze anos de idade, algumas você irá sentir muita falta e irá gostar de ficar relembrando, outras irá dar graças por terem passado e enterrará no fundo de uma gaveta, trancará e jogará a chave fora, pra nunca mais ser aberta novamente, mas é disso que lembranças são feitas, é disso que você é feita.
Os quatorze anos nunca mais irão voltar, mas hoje posso dizer que estou alegre com isso, hoje estou muito diferente do que imaginava ser naquela época, mas nunca estive tão certa de que é essa mulher de agora que quero ser. Aquela imagem que tinha de mim mesma naquela idade, de quando a gente é mais nova e fica se imaginando mais velha, estou bem longe de ser como havia imaginado aos quatorze anos, mas não poderia estar mais feliz por isso ter acontecido.
Bem, depois de passar um tempo escutando a música e pensando, o nervosismo passou. 


Ah, se quer saber qual foi a música, foi essa aqui:

16 comentários:

  1. Que texto lindo! Não sei dessas coisas ainda porque ainda tenho 15 anos, mas acho que vai ser assim, tomara.
    Nunca tinha escutado essa música, acredita?
    Bjo, Sel ;*

    Jovens Gordinhas
    Unicórnio com Bigode
    Nerd Descolada

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  2. Bem tocante.

    Tem vezes que a gente tem uma vontade de revelar ao mundo algumas de nossas concepções. As vezes elas podem parecer tão tristes, ainda mais agora, depois de assistir o Labirinto do Fauno, um filme tão mágico e ao mesmo tempo tão assustador.

    Até!

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  3. Além de belíssimo, muito bem escrito, Camila!
    GK

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  4. Sel,

    aproveite! Os quinze anos são mais especiais ainda... :)

    Beijão :)

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  5. Oi.
    Você está nos meus favoritos.
    Por isso eu quis lhe passar essa TAG.
    Clique no link e saiba mais:
    http://www.biancagsnunes.com/2013/05/fui-tagueada.html

    Beijos :*

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  6. Bianca,

    que linda, fico feliz em saber que gosta do blog!
    Obrigada pela indicação, em breve responderei...

    Beijão :)

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  7. Gostei das festas bizarras e dos alisamentos em escala industrial. Excelente texto!

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  8. Ah, meus catorze... Sinceramente, só tão melhor hoje, em todos os sentidos. Ainda não sou totalmente quem quero ser, mas sou bem melhor do que eu imaginava. =) Nossa, não conheço essa música. Provavelmente porque, quando você tinha catorze, eu já era cristã e não escutava muita música comum.

    Beijos,

    Isie Fernandes - de Dai para Isie

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  9. Isie,

    sim, ainda tenho algumas coisas que preciso fazer pra me tornar a pessoa que quero ser. Ainda preciso publicar meu livro. kkkkkk

    Eu não escuto música cristã, mas desde menina, sempre adorei Simple Plan. :)


    Beijão )

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  10. Hahaha! Eu não sei quem é Simple Pan. Eu gosto de música cristã, pois sou cristã. rsrs... Mas não escuto tudo que toca, não. Gosto de alguns grupos/cantores em particular - Casa de Davi, Antonio Cirilo, Santa Geração, Livres para Adorar, Unção de Deus e mais alguns poucos cantores. Curto mais músicas francesas e franco-canadenses - Dan Luiten, Sebastian Demrey, Tabitha Lemaire, Chantal Labelle, Exo, Paul Baloche, Hillsong e mais alguns outros.

    Beijos!

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  11. Hahaha, Simple Plan são os caras que estão cantando a música que deixei no post.
    Agora os que você falou, eu não conheço. kkkkk

    Beijão :)

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  12. Olá, Camila. Acho que todo mundo tem esses momentos de recordação. E é mesmo curioso ver como mudamos desde a adolescência: não apenas nossos gostos, como você disse, mas nossos sonhos, nosso ser. Acho que na adolescência somos muito 8 ou 80 e com o tempo vamos aprendendo a nos tornar pessoas mais flexíveis e a nos guiar mais pela nossa própria opinião do que pelas modinhas... Mas, enfim,como todas as fases da vida, tem seus altos e baixos: bons e maus momentos pra lembrar. :)
    Adorei o post! Também fiquei lembrando da minha adolescência depois de ler.
    Beijos,
    Niki - http://www.meigaemalefica.blogspot.com

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  13. Niki,

    obrigada! Fico feliz que tenha gostado e que tenha te trazido algumas lembranças...

    Beijos :)

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