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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A Menina que não Sabia Ler


Antes de qualquer outra coisa, não confunda esse livro com “A Menina que Roubava Livros”, são dois livros diferentes, mas não custa nada dizer, pois muita gente confundiu.
Bem, o que posso dizer sobre esse livro? Na verdade fiquei muito confusa quando terminei a última página e a primeira coisa que fiz foi pesquisar na net para ver se outras pessoas concordavam com meus pensamentos sobre a história. Vocês gostam de histórias que acabam sem ter uma explicação final? Daquelas que te deixam decidir, que te fazem pensar sobre o que é ou o que não é, sabe aquele tipo de história que deixa você escolher o fim? Esse livro é exatamente assim.
Eu particularmente gosto que o escritor esfregue o final do livro bem na minha cara, que deixe tudo resolvido e que explique ao menos grande parte das coisas, pois finais subjetivos não são meus favoritos. Em todo caso, eu gostei bastante do livro.
Minha mente e opinião mudaram muito enquanto lia. No começo eu fiquei maravilhada, perdida entre as palavras e atitudes de Florence, a narradora da história, uma garotinha de doze anos de idade que adora livros, mas é proibida de lê-los. Seu tio, um homem que nem ao menos vive na mesma cidade que ela, que nem ao menos a visita, proibiu que qualquer criado da casa ensinasse a garota a ler, pra ele mulheres deveriam apenas saber bordar, costurar e limpar a casa, mas Florence é uma menina tão curiosa, tão inteligente que aprendeu a ler sozinha, qual é, o ano é 1821, as pessoas até podiam ser machistas, mas ninguém a impediria.
Ela encontrou a enorme e empoeirada biblioteca da casa e fez dela seu esconderijo secreto. Flo é uma personagem muito interessante, o QI dessa menina deve ser um dos mais altos que já conheci, você não faz ideia do tamanho da capacidade, inteligência, mente brilhante e dinâmica que essa garota possui. Fiquei boba por uma menina dessa idade poder fazer tudo o que ela fez, mas pensando bem, ela foi guiada e teve sua mente regada por palavras de grandes escritores durante toda a vida. Ela aprendeu outras línguas e conhece mais histórias do que você pode pensar. As coisas que ela faz pra poder ler sem ser descoberta pelos criados da casa... É incrível, a vontade que ela tem de ler, a forma como não desiste, fiquei fascinada e emocionada, pois eu no lugar dela, teria feito exatamente igual.
Florence tem um irmão menor e ela o ama demais, como seus país morreram muito cedo, ele é a única família que a garota conhece, pois o tio nunca deu as caras na velha mansão onde mora, ele apenas paga as contas.
A vida dos irmãos mesmo sendo difícil e solitária, é boa. Eles são bem tratados pela governante e ainda podem contar um com o outro, mas tudo muda quando a nova preceptora,  Sra. Taylor surge em suas vidas. Florence começa a ter sonhos estranhos e sente que algo de errado acontece com essa mulher. A menina sente medo e algo lhe diz que Sra. Taylor pretende fazer alguma coisa ruim para seu querido irmão Giles.
Na metade do livro as coisas começaram a mudar, achei que o ritmo ficou um pouco mais lento, nada que me fizesse desanimar da história, mas as coisas ficaram mais pra baixo. Tudo o que sei é que imaginava uma coisa totalmente diferente do que aconteceu. Primeiro achei que seria um livro sobre como ela conseguia ler, até pensei que ela poderia se apaixonar, mas não foi nada disso que aconteceu. Ela até conhece um rapaz asmático, mas a palavra romance está bem distante desse livro. Depois algo que nem ao menos havia passado por minha mente aconteceu, nunca imaginei encontrar fatos sobrenaturais nesse livro, muito menos as cenas que nele vi, mas elas existiram.
E o final? Bem, ele é surpreendente, ok, não é uma coisa de outro mundo, pois confesso que imaginei um final como aquele, mas foi algo passageiro de minha parte, pois sabe quando você pensa em uma coisa, mas depois diz pra si mesmo que seria demais algo assim acontecer ou então pensa que o escritor não iria ficar o livro todo fazendo uma coisa pra depois fazer aquilo no final, entende o que estou tentando dizer? Pois bem, eu imaginei esse final, mas nunca passou pela minha cabeça que ele pudesse acontecer, ao menos não da maneira que aconteceu.
No final das contas isso é bom, pois eu particularmente adoro quando o escritor dá risada de mim, quando ele me surpreende, estende o dedo na minha e cara e grita, “Você não esperava por isso, não é? Bitch!”. Eu adoro quando encontro um final não esperado, mas esse muito embora tenha me deixado elétrica, entusiasmada e alucinada por cada virada de página, conseguiu me deixar um pouco triste. Não pela falta de criatividade, mas por ter colocado tanta expectativa em cima de Florence, eu me identificava com ela, como ela pode fazer isso comigo? Eu até entendo o lado dela, sabe? Consigo entender o motivo pra ela ser assim, mas fiquei realmente triste e ao mesmo tempo pasmada com a incrível habilidade que a garota tem de esconder toda a sujeira em baixo do tapete. Palmas para você, minha cara.
É isso, não posso continuar, pois mais cedo ou mais tarde irei soltar algum spolier que não deveria e isso pode não ser legal pra algumas pessoas, mas em todo caso, irei fazer uma sessão de spolier em baixo desse texto, para os interessados e pros que não ligam de ler coisas reveladoras de histórias que ainda não leram.
Enfim, apesar de tudo, eu adorei o livro e indico totalmente, é uma história envolvente, surpreendente, muito bem escrita e de certa forma, engraçada, embora tenha partes melancólicas. É tudo de bom, leia.


Se não quer saber nada que acontece na história, se você é do tipo de pessoa que detesta spoiler, pare de ler agora...


Ok, vamos lá, como disse o final do livro é subjetivo então vou começar por minhas teorias.
A primeira delas é que Florence é completamente louca, piradinha da silva, doida varrida, sempre foi. Vamos ver, lembra da foto dela de quando devia ter uns quatro anos com o rosto todo demoníaco e raivoso? Pra mim isso é uma pista que o escritor estava nos dando.
Pra mim ela matou a antiga preceptora, da mesma forma que fez com a segunda.
Tudo bem a garota é um gênio, mas é maluquinha, coitada. Teve a mente perturbada desde cedo pela morte da mãe, por nunca ter visto nem ao menos uma foto da família e viver sozinha naquela enorme mansão. Ela leu muitos livros, algumas pessoas possuem fraquezas estranhas, pra mim a de Florence era a leitura, ela se deixava levar demais e as tantas histórias fantásticas fizeram com que seu maravilhoso e invejado cérebro entrasse em curto.
Tudo bem, pra essa teoria a maluca era Florence e tudo o que ela viu, toda aquela doideira de Sra. Taylor ser um fantasma da antiga precptora, de ficar vigiando a casa pelos espelhos, tudo isso era parte da mente desparafusada de Florence. Ok, tudo perfeito até então, mas uma coisa não se encaixou. Sra. Taylor nunca comia, até mesmo a criada da casa percebeu esse fato. Como explicar isso? A coisa mais lógica que surgiu na minha mente foi que Florence também tivera imaginado esse fato e aquela conversa com a cozinheira, quando ela também percebeu que Sra. Taylor nunca comia. Essa é a teoria adotada por mim, a pobre garota imaginou tudo.
Muito bem, a segunda teoria é que tudo aquilo aconteceu, Sra. Taylor mesmo sendo mãe de Giles era um fantasma e fez todas aquelas coisas, incluindo vigiar a casa pelos espelhos, mas em todo caso, Florence continua louca, pois matou o coitado do Theo, tudo bem que ele viu quando ela jogou Sra, Taylor no poço, mas convenhamos, matar o melhor amigo que te ajudou durante tanto tempo, é coisa de maluco. Pobre Theo, eu realmente gostava dele e ele amava Florence, nunca imaginei que ele iria morrer, muito menos pelas mãos de Florence.
E em qualquer teoria que você possa pensar, Florence amava Giles mais do que qualquer outra coisa no mundo, mais até do que ela mesma, pois tudo o que fez, tudo o que aconteceu, foi por seu medo de perder o irmão. Ela amava Giles e estava disposta a fazer qualquer coisa para salvá-lo.

E em todas as teorias formuladas no mundo, nenhuma delas pode negar que essa garota é digna de aplausos por saber disfarçar pistas, sumir com coisas e não deixar nenhum rastro. Tudo pode parecer loucura vindo de apenas uma menina de doze anos de idade, mas então eu lhe digo, livros podem fazer coisas mágicas com as pessoas, podem mover montanhas, tudo  bem que podem te deixar pirado algumas vezes, mas ninguém pode duvidar que o cérebro de Florence é tão agitado, ágil, esperto e que ela conseguiu fazer todas essas coisas e as que possivelmente fará no futuro sem ser pega, pois ela é e sempre será uma leitora... 

Como na maioria das vezes, o título e capa originais do livro, são bem melhores.

9 comentários:

  1. bom dia eu gosto e livros explicadinhos, com começo, meio e fim, se não fico com cara de ´´ué.
    obrigado pelo dica, bjs

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    1. Kkkkk, eu também gosto, se não fico curiosa. kkk

      Beijão :)

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  2. Adorei essa resenha, Camila! Porque eu li esse livro e não tive com quem comentar!Isso me mataaa! hehe Principalmente quando é uma história desse tipo, que você sente ainda mais necessidade de debater com alguém que já leu.

    Bom, como eu li esse livro no finalzinho do ano passado, certamente esqueci alguns detalhes que eu gostaria de comentar...
    Mas, então, eu pensei o mesmo que você: há a hipótese da Florence ser louca e a hipótese de tudo aquilo ter acontecido de verdade. Eu não sei qual seria pior, pois se a segunda estiver certa, ela é uma pessoa bem estranha, já que matou o Theo. Ao mesmo tempo que ama demais o Giles, tem uma frieza incrível para tirar do caminho qualquer um que apresentar uma ameaça.
    Nossa, se eu fiquei chocada quando ela matou a preceptora, fiquei ainda mais pasmada quando matou o amigo!

    O livro deu uma reviravolta incrível, né? Eu nunca imaginei que terminaria daquela forma... No fim, fiquei decepcionada com Florence, a personagem continuou me intrigando e eu a admiro por ser tão diferente, mas fiquei chateada com ela, principalmente por ter matado o amigo.

    Olha, confesso que quando leio um livro e vejo a capa original, geralmente prefiro a brasileira porque acho que as editoras têm feito, em geral, um trabalho belíssimo com as capas. Porém, quando vi a capa desse livro, fiquei boba com a diferença gritante! Não gosto da capa brasileira, tirou totalmente o "clima" da história original. Acho que eu fiquei ainda mais surpresa com o rumo que a história foi tomando, por causa da capa e do título do livro, que não passam o clima exato da história. Acho a capa original muito mais sinistra e intrigante. E outra, concordo com o que algumas pessoas dizem: acho que colocaram esse título para chamar mais atenção, pois ele lembra A Menina Que Roubava Livros. É claro que, lendo a sinopse, percebe-se que um não tem naaaada a ver com o outro. Mas o título lembra muito e acho que foi escolhido justamente com esse propósito.

    Ah, por curiosidade: você já leu A Menina Que Roubava Livros?

    Beijo, Camila! Foi bom poder comentar esse livro com alguém que já leu! hehe

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    1. Isa, sei exatamente como é isso, nunca tenho ninguém para discutir sobre um livro terminado e livros como esse exigem uma discussão. kkkk
      A única pessoa que faço isso é com Isie Fernandes, pois normalmente eu leio livros que ela já leu, então dá pra conversar.

      Também fiquei passada por ela ter matado o amigo, quando ela matou Sra. Taylor eu não liguei muito, pois estava achando que o livro estava levando para o lado dela ser mesmo alguma coisa sobrenatural. Eu tinha pensando que ela poderia ser a mãe de Giles e tinha pensado que Florence deveria ser louca. Imaginei isso várias vezes, mas nunca pensei que o escritor fosse mesmo fazer isso. Pensei que ele iria escrever um final provando que Florence estava certa. Mas quando ela matou o amigo... Fiquei boba. kkkk Eu gostava do Theo, então quando ela o matou já decidi que ela era louca, pois em todas as teorias ela seria louca, pois matou o menino, coitado.
      Fiquei triste também, eu gostava tanto dela, me identificava tanto, a forma como ela lutava para ler e aprender mais, eu amava aquilo.

      Ah, sobre a capa, pois é, a capa brasileira não dá entender o verdadeiro espirito do livro. Quando olhamos a capa original já imaginamos algo mais sombrio e já pensamos que há algo de estranho nessa menina, olha só o olhar penetrante e assustador dela.
      Depois que li o livro, descobri que foi baseado em outro que se chama "A Volta do Parafuso" que conta a história de uma governanta que imagina que as crianças que precisa cuidar estão possuídas por demônios. Fiquei curiosa pra ler.

      Também acho que fizeram isso com a capa, pelo mesmo motivo, mas ainda não li A Menina que Roubava Livros, estou curiosa e pretendo ler logo.

      Fiquei boba com a frieza de Florence também, mas ela com certeza tem problemas mentais. kkk

      Foi bom conversar com você sobre o livro também. :)

      Beijão :)

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  3. Acredita que eu não sabia nada sobre o livro quando li? Imagina quando eu peguei e dei de cara com uma literatura gótica! O primeiro livro que li na temática ainda. Fiquei SUPER surpresa, não tem como não ficar, não é?
    A Florence ainda é um enigma pra mim. Todo o livro é um mistério, na verdade.

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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    1. Eu tinha apenas lido a sinopse. kkkk Também fui pega de surpresa!
      Não tinha pensado em leitura gótica, mas fui ver as características e acho que se encaixa bem.
      Florence é uma personagem complicada e doida, sofre de psicose, coitada. kkk
      Mas adorei o livro.

      Beijos :)

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  4. Oi, Camila.

    Sempre quis ler esse livro, mas ainda não tive a oportunidade. Também não gosto muito de finais enigmáticos - nem li a segunda parte da postagem. Depois que ler o livro, voltarei para bisbilhotar. ;)

    Beijos,

    Isie Fernandes - de Dai para Isie

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    1. Ah, Isie, quando ler volte aqui pra comentar sim, adoro ver as opiniões das pessoas sobre o mesmo livro. kkkk

      Beijão :)

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  5. Te digo uma coisa: ela era pirada. A minha teoria era de que ela matou as duas preceptoras, a Srta Taylor era obviamente a mãe de Giles (por isso ela achava que a conhecia, pois viu fotos dela com o pai no álbum, só que ela estava com a cabeça queimada, e porque ein?), e ela é que não estava comendo (tanto que dizia que estava super magra) e fez a cozinheira acreditar que era a srta. Taylor, tudo ilusão da cabeça da pobre criança, assim como a de Taylor andar sobre a água e possuir espelhos. Outra coisa: o tio e o pai são as mesmas pessoas! Eu acredito que sim, pelo menos. Agora aí é outro mistério, porque ele abandonou as crianças? Por que queimou o rosto da (ex) mulher no álbum? A menina era um gênio, mas, louca, completamente pirada, e com uma paixão muito esquisita pelo irmão, e acho que deveria ter continuação, porque uma hora Giles teria que sair da vida dela, né, ele cresceria oras, e o que ela iria fazer então? Muitos mistérios pra um livro só.

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